• "A Economia social e solidária é um sonho com mais de 200 anos. [...] Depende de nós juntar as nossas competências e unir os nossos esforços."

    - Paul Singer, Secretário Nacional da Economia Solidária, Brasil

    Notícias

    Vídeo-testemunhos de boas práticas

    Vê os testemunhos de pessoas que, com sucesso, colocaram em prática os princípios da Economia Social e Solidária e conseguiram contribuir para a luta contra a pobreza mundial e para criação de melhores condições de trabalho nas suas comunidades. 

    Se gostaste do que viste, existem outros vídeos disponíveis no canal de YouTube da SUSY - Sustainable and Solidarity Economy e na playlist portuguesa do projeto.

    Análise reflecte sobre os desafios e limites da Economia Social e Solidária na Europa e no mundo

    “A pesquisa SSEDAS figura, certamente, entre as mais relevantes investigações realizadas até hoje na área da Economia Social e Solidária”, lê-se neste documento que é o resultado da “Pesquisa Economia Transformativa: oportunidades e desafios da Economia Social e Solidária em 55 territórios na Europa e no Mundo”, desenvolvida por mais de 80 investigadores, no âmbito do projeto “SSEDAS/SUSY – Economia Social e Solidária”.


    Esta pesquisa foi levada a cabo em 32 países, dos quais 23 são estados-membros da União Europeia, e 9 países em África, Ásia e América Latina. Foram mapeadas mais de 1100 práticas, realizadas mais 550 entrevistas, envolvendo redes de Organizações Não Governamentais, membros de parlamentos, organizações comunitárias, voluntários e mais de 100 representantes das autoridades legais, e foram produzidos 55 vídeos sobre práticas significativas nos territórios.

    Nas conclusões destacam-se alguns modelos emergentes, tais como, agricultura inovadora, sustentabilidade energética, reduzir, reutilizar e reciclar, comunidades autogeridas, governança e qualidade de emprego, finanças éticas, inclusão social inovadora, redes em ação: clusters regionais e agrupamentos, igualdade de género, mercados locais, preservando heranças e culturas; elencam-se os desafios para um futuro próximo e reflete sobre a visão comum ao nível da Economia Social e Solidária.

    Este relatório final foi elaborado pelo grupo de coordenação de investigação da Fairwatch. Em Portugal, a investigação ficou a cargo de Catarina Maciel.

    Documento disponível aqui.

    Comunidades de partilha encerram Ciclo de Cinema Economia Social e Solidária

    O Ciclo de Cinema de Economia Social e Solidária encerrou em Lisboa, dia 11 de maio, com o documentário "Palmas", de Edlisa Peixoto, com muito debate em torno de sistemas de trocas e de finanças em diferentes espaços geográficos e culturais. Num LARGO Café Estúdio que se encheu de um público curioso para escutar a história de uma comunidade de pescadores remetida para a periferia de Fortaleza, ouviu-se o mar. Mas da praia para o interior foi preciso reinventarem-se. “A gente não tinha nada.”

    Abriram-se ruas, conquistou-se água, luz, saneamento... A pulso. Ergueram-se casas, semeou-se entre-ajuda e entre conversas nada podia ser mais claro: “A gente não é pobre. O nosso dinheiro é que não fica no bairro.” Daí a nascer o Banco Palmas não faltou muito. Começando-se com pequenos empréstimos e estimulando o consumo no Conjunto Palmeiras com a moeda “Palmas” foi possível revitalizar o comércio no bairro, abrir novos negócios e poupar. Enquanto moeda com lastro, o “Palmas” pode ser convertido em reais e mostra como, de facto, uma economia complementar é possível e uma economia alternativa é desejável.

    Também em Campolide, para incentivar o comércio local e paralelamente incutir nos residentes a prática da reciclagem, nasceu a moeda “Lixo”, por iniciativa da Junta de Freguesia. Na conversa que se seguiu ao filme “Palmas”, Joana Lopes, da Junta de Freguesia de Campolide, explica que esta também é uma moeda circunscrita ao seu bairro, válida nos estabelecimentos aderentes. É entregue às pessoas recenseadas da freguesia que recolhem e entregam à Junta pilhas e embalagens de lixo reciclável e passada aos comerciantes que – uma vez aceitando-a – a reutilizam nas suas compras dentro do bairro. Uma dinâmica que estabelece parcerias entre os moradores do bairro, numa lógica de proximidade, preservando o ambiente. 

    Degustando uma condimentada feijoada à brasileira no final do serão, o debate prosseguiu animado... Um momento único para não deixar adormecer ideias, ou melhor, para pô-las em prática. Na América Latina, na Inglaterra, na Catalunha... foram diferentes os exemplos dados de lugares onde se registam experiências como as observadas – ora mais circunscritas a trocas comerciais ora mais alargadas à concessão de crédito e ao sistema de poupanças. “Há aqui diferentes nuances. Temos de continuar a falar sobre isto, vendo o que há por aí... como se está a fazer economia de forma diferente”, desafiou um dos participantes. Vamos a isso?

    Texto e Foto: Âmago Multimédia

    Ciclo de Economia Social e Solidária decorreu em Lisboa

    Bunos dis! Günaydn! Ontem, 4 de maio, a sala do LARGO Café Estúdio encheu-se pelas 19h para assistir a “Gente Extraordinária”, de Orhan Tekeolu. A forma como as pessoas que moram na costa turca do Mar Negro encontram soluções para se deslocarem e comunicarem a mil metros de altitude ou como vibram com experiências coletivas como a dança “horon”, vindo muitas vezes de longe só para celebrarem em comunidade, despertou sorrisos e emoções entre o público.

    No final do filme, Alberto Fernandes, da "Associação Frauga" de Picote, Miranda do Douro, falou da defesa e promoção da identidade de quem ao longo do tempo cultivou uma língua e uma cultura muito próprias, também em Portugal. O mirandês, reconhecido oficialmente como língua nacional desde 1999, aprende-se na escola em Miranda do Douro e ainda é usado no dia-a-dia, em particular nas aldeias. Porém, há que promover mais esta língua e o património em torno da qual se produz uma cultura muito rica – como a dança e a música –, levando mais gente a conhecê-la e a fazer uso dela.

    Por fim, não podia faltar a característica cultural amada por tantos... a gastronomia! Mussaka foi o rei da noite, um prato turco cozinhado de forma excecional pelo LARGO Café Estúdio e oferecido pelo IMVF, fazendo as delícias dos presentes entre um “olá, como estás?” e um “prazer em conhecer-te!”.

    Saiba mais aqui.

    Por: Âmago Multimédia

    Estudos sobre boas práticas de Economia Social e Solidária disponíveis online

    ADREPES – Associação de Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal e a MONTE-ACE foram as duas boas-práticas selecionadas no âmbito do projeto Economia Social e Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF. O resultado desse trabalho está agora publicado e disponível para consulta e download.

    A ADREPES, fundada em 2001, em Palmela, representa populações e produtores locais. O principal objetivo desta associação é promover o desenvolvimento rural, costeiro e urbano a nível económico, social, cultural e ambiental da Península de Setúbal, tendo como missão a procura permanente e em articulação com os agentes locais, de formas inovadoras e distintivas que contribuam para a criação de valor e desenvolvimento, melhoria da qualidade de vida e capacitação das pessoas, reforço da competitividade do tecido empresarial, preservação e valorização do património ambiental e promoção da identidade cultural.
     
    Um dos projetos implementados pela ADREPES e apresentados neste estudo é o PROVE, que teve início em 2004 e surgiu da necessidade de colmatar o crescente abandono da atividade agrícola, sobretudo devido a dificuldades por parte dos agricultores em vender a produção e dos consumidores procurarem produtos com qualidade e quererem conhecer os produtores, através do lema “conheça o seu agricultor, conheça a qualidade da sua comida”. O principal objetivo do PROVE é encurtar distâncias entre os pequenos produtores e os consumidores. Desta forma, os produtores conseguem vender a sua produção a um preço justo pelo seu trabalho e os consumidores recebem produtos de qualidade, contactando diretamente com os produtores locais, projeto no qual a MONTE-ACE também está ativamente envolvida.
     
    A MONTE-ACE é uma associação sem fins lucrativos, criada em 1996, com sede em Arraiolos, que promove intervenções de âmbito local, regional e internacional, para o desenvolvimento sustentável e inclusivo das comunidades rurais e que tem como missão incentivar o desenvolvimento económico e social das regiões rurais e promover processos de governança local, particularmente na Região do Alentejo Central, mas também na Guiné-Bissau e em Cabo Verde.
     
    Com uma equipa em permanência na Guiné-Bissau, a MONTE-ACE tem vindo a promover vários projetos impulsionadores do Desenvolvimento das áreas rurais, apoiando o empreendedorismo e a gestão de rendimentos e contribuindo para a dinamização do associativismo. Um desses projetos é o de Gestão Sustentável dos Recursos Florestais no Parque Natural dos Tarrafes de Cacheu (PNTC). Com a duração de 4 anos (2012-2016), este projeto tem como objetivo combater o processo de degradação da vegetação florestal na região, através de uma gestão dos recursos naturais sustentável e participada pelas populações locais.
     
    Além destes estudos de boas-práticas, foram realizados 2 vídeos em que é possível testemunhar os processos apresentados.
     
    ADREPES: Estudo & Vídeo
    MONTE-ACE: Estudo & Vídeo
     
    Através destes estudos, o projeto procura divulgar a Economia Social e Solidária em Portugal e contribuir para a promoção de um novo paradigma de desenvolvimento económico, de forma a combater a pobreza e a partilhar um modo de vida equilibrado e sustentável.
     
    Créditos das Fotos: António Fonseca.

    Diário da Tour Economia Social e Solidária 2016 em Portugal

     20-23 maio 2016 (1ª fase) :: 19-24 junho 2016 (2ª fase)


    20 de maio
    O IMVF acolheu em Lisboa Elisabeth Grimberg e Edlisa Peixoto, oradoras convidadas para um intercâmbio de experiências entre a Europa (Portugal, Bulgária, Eslovénia e Croácia) e o Brasil. As cooperativas de catadores de materiais recicláveis de São Paulo (pela voz de Elisabeth) e as iniciativas de Economia Social e Solidária (ESS) no Ceará (descritas por Edlisa) foram um dos principais temas de conversa durante o primeiro dia da tour, mas houve também tempo para comparar vivências da economia social e mesmo da situação política no Brasil e em Portugal.

    No âmbito do Projeto SSEDAS – Economia Social e Solidária, o IMVF quer promover a colaboração entre redes de cooperação para o desenvolvimento e redes de Economia Social e de Economia Solidária, sobretudo no que diz respeito ao papel que uma outra economia pode ter na luta global contra a pobreza e pela sustentabilidade. Edlisa e Elisabeth são as primeiras oradoras convidadas a partilhar experiências vividas no Sul global. Edlisa Peixoto, realizadora do documentário “Palmas”, e Elizabeth Grimberg, cofundadora do Instituto Pólis, estarão em Portugal em dois períodos: de 20 a 23 de maio e depois em junho, de 19 a 24 de junho.

    Este diário pretende acompanhar estes dois períodos de visita e da troca de ideias e impressões entre as oradoras e as associações e cooperativas com as quais contactarão. Neste primeiro dia, Elisabeth e Edlisa visitaram, de manhã, a sede do IMVF, onde se concretizaram os últimos pontos da logística da tour europeia. Assinados os contratos, as oradoras tiveram a oportunidade de conhecer Ahmed Zaky, diretor de projetos do Instituto Marques de Valle Flôr. A seguir, conversaram com alguns membros (como Ana Isabel Castanheira, Ana Teresa Santos e Mónica Santos Silva, da Unidade de Cidadania Global) da equipa do IMVF sobre a exclusão social, a situação política e o setor da Economia Social em Portugal e no Brasil, sentindo-se que o recente golpe contra o governo de Dilma Roussef e a mudança que se antecipa preocupam ambas as oradoras.

    Edlisa e Elisabeth estiveram presentes, à tarde, na Feira Portugal Economia Social(www.portugaleconomiasocial.fil.pt), que se realiza na Feira Internacional de Lisboa (FIL) com o objetivo de “apresentar e promover projetos económicos e sociais e fomentar a criação de joint ventures para o desenvolvimento cooperativo”. Junto ao balcão do IMVF ficaram a conhecer alguns dos projetos em que este está envolvido, como a campanha europeia Make Fruit Fair!/ Fruta Tropical Justa e projetos de cooperação desenvolvidos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

    A tarde deste primeiro dia foi também dedicada às primeiras entrevistas com dois membros da equipa de comunicação do projeto (ÂMAGO – Multimédia para organizações dos setores sociais e desenvolvimento - Gustavo Lopes Pereira e Filipa Lacerda), que falaram com as oradoras sobre as suas expetativas para a tour e sobre Economia Solidária, como “um novo olhar acerca de criar riqueza e gerar renda, por exemplo, a partir de materiais recicláveis, integrando pessoas em situação de exclusão social” e como “o controlo do circuito de produção” pelos trabalhadores e produtores (por exemplo, na área da agricultura familiar), como referiu Elisabeth.
     
    A tarde foi concluída com uma visita a outros atores presentes na FIL, durante a qual as oradoras ficaram a conhecer a Cruz Vermelha Portuguesa, a Cooperativa Regional de Economia Solidária Cresaçor, a Animar - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, e ainda algumas das associações de bairro da freguesia lisboeta de Santa Maria Maior.

    21 de maio
    A sede do CIDAC – Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral – (e a sua loja de Comércio Justo) foi a primeira paragem para a tour em Lisboa, onde as convidadas observaram a entrega semanal de hortaliças e frutas comercializadas por um circuito de proximidade de comércio justo, diretamente dos produtores para os consumidores. As produtoras (integrados no PROVE - Promover e Vender) Justina e Judite, bem como um dos membros da equipa do CIDAC, Dénia Claudino, explicaram como funciona este esquema e conversaram com as convidadas sobre a história e o trabalho da associação. 

    Mais tarde, Edlisa e Elisabeth apresentaram os seus estudos de caso para uma audiência no espaço de conferências da Feira, depois de uma introdução pelo Professor Rogério Roque Amaro. Elisabeth descreveu as iniciativas e políticas públicas relacionadas com os catadores de materiais recicláveis brasileiros como um processo de "auto inclusão", enquanto Edlisa discursou sobre o primeiro banco comunitário do Brasil (Instituto Banco Palmas) e a comunidade que o criou. Roque Amaro introduziu os conceitos de economia social e economia solidária, notando que devem ser feitas distinções entre as associações e cooperativas, de um lado, e as empresas de "empreendedorismo social", por outro. "Estamos aqui hoje para pensar na SSE como um caminho", acrescentou.  Mais tarde, no segundo pavilhão ocupado pela feira, Edlisa e Elisabeth estabeleceram contactos com iniciativas como a Malha de Bronze, Associação LequeAssociação EcoGerminar eComunidade Vida e Paz.

    22 de maio
    Na sua visita seguinte, as convidadas, familiarizaram-se com a cooperativa rural Cooperativa Terra Chã, onde apreciaram uma refeição no restaurante e sede da cooperativa, com produtos locais. Júlio Ricardo, António Frazão e Pedro Mendonça receberam Elisabeth e Edlisa e mostraram-lhes a aldeia de Chãos, oferecendo uma visita guiada através do trabalho de cariz social e ambiental da Terra Chã nos últimos 30 anos.
    As convidadas ficaram encantados com esta experiência de democracia direta e envolveram-se numa produtiva troca de conhecimentos com os membros da cooperativa, oferecendo-se para manter contacto e ajudar na partilha de contactos e experiências.

    Desde a apicultura ao tema da liderança, focando também os conhecimentos tradicionais e práticas em Chãos, a ampla variedade de assuntos discutidos pelas convidadas e os representantes da Terra Chã levaram a uma troca de pontos de vista muito relaxada, mas mutuamente benéfica. Um exemplo foi a lembrança, por António, de como a cooperativa foi criada, pela reunião de pessoas (principalmente jovens) depois do ensaio do grupo de música folclórica local. "Isso é o que eles fizeram, no início, no Conjunto Palmeiras, agendando as assembleias para depois de reuniões de oração (novenas)", respondeu Edlisa.

    À tarde, Elisabeth e Edlisa visitaram o rebanho de cabras e oficina de tecelagem da cooperativa. O trabalho em rede (tal como acontece com o Projeto ASAS, nas quais participa Chãos) também foi debatido.  

    23 de maio
    Edlisa e Elisabeth reuniram-se com Sandra Monteiro, da COOPERATIVA OUTRO MODO, de manhã, à Praça Intendente. Esta cooperativa cultural é responsável pela edição portuguesa do jornal Le Monde Diplomatique, enquanto Elisabeth pertence à equipa brasileira do LMD. Portanto, a conversa passou rapidamente da missão cultural e iniciativas da cooperativa para um debate sobre o papel dos meios de comunicação na mudança social e sobre os media alternativos. Elisabeth inquiriu sobre a linha editorial do LMD edição portuguesa e Edlisa e Sandra discutiram a brasileira "mídia ninja". 

    Tendo já travado conhecimento com várias alternativas na área de ESS em Portugal, as convidadas mostraram curiosidade acerca das suas perspetivas sobre ESS. Edlisa defendeu que o Banco "Palmas é um exemplo de um processo crítico, questionando a economia capitalista", enquanto Sandra expressou sua preocupação em relação às recente alterações legislativas diluem a distinção entre a cooperativa e o setor privado.

    O encontro com a Outro Modo teve que ser encurtada para chegar à sede da associação Renovar a Mouraria para uma conversa com Filipa Bolotinha, membro da associação. Esta apresentou os projetos da associação, na integração de migrantes, de apoio social dedicado às pessoas do bairro lisboeta e de renovação urbana. Filipa destacou o apoio que a Renovar a Mouraria beneficiou da autarquia, de projetos europeus e de parcerias.

    À tarde, Edlisa e Elisabeth participaram numa reunião informal com estudantes de mestrado e doutoramento organizado pelo IMVF e pelo Professor Iva Miranda Pires, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH/NOVA - Universidade Nova de Lisboa). Os alunos, principalmente envolvidos no mestrado de "ecologia humana", estavam bem informados sobre o tema da SSE e curiosos acerca de experiências específicas na área. Como Elisabeth comentou, "há uma quantidade enorme de iniciativas que já são os embriões da mudança". Uma dos alunas tinha estudado a eliminação de resíduos no Brasil, o que levou a um debate interessante sobre reciclagem em vários países. "O papel da academia nesses assuntos é incrível, mas seria muito interessante se as universidades pudessem estar mais perto das pessoas que estão criando o conhecimento em iniciativas de SSE", acrescentou Edlisa.

    Esta reunião marcou o fim do primeiro período da Tour Europeia, no que foi um começo auspicioso para um maior intercâmbio de experiências e opiniões.

    20 de junho
    A segunda parte da tour “Economia Social e Solidária” em Portugal decorreu entre 20 e 25 de Junho. Entretanto, as oradoras passaram pela Bulgária, Croácia e Eslovénia, onde foram acolhidas pelos parceiros nacionais do projeto SSEDAS. No seu regresso a Lisboa, Elisabeth e Edlisa comentaram as experiências que tiveram nestes países com a equipa do IMVF, com quem se encontraram na sede do Instituto.

    21 de junho
    “Resistir e avançar” foi o lema do dia passado em Évora, um slogan que combinou bem com o espaço repleto de fotografias e memórias de Zeca Afonso, no Cineteatro Grandolense. O debate “Alternativas em práticas – Exemplos da Economia Social e Solidária” foi apresentado por Joana Correia, coordenadora do Centro da Universidade Aberta em Grândola. O visionamento do documentário “Palmas” foi seguido pela intervenção de Edlisa Peixoto, que respondeu a uma pergunta que ouviu frequentemente durante a tour SSEDAS: “Como está essa comunidade atualmente?”. Segundo a oradora, o Conjunto Palmeiras “segue firme e forte”, com dois novos desafios, a captação de jovens para criar novas lideranças e o estabelecimento de uma linha de financiamento internacional que permita fortalecer o Banco Palmas e uma rede de Economia Solidária no Brasil.
    Edlisa mencionou também a “confusão” entre os conceitos de Economia Social e de Economia Solidária. “A Economia Social ajuda as pessoas”, enquanto “a Economia Solidária trabalha no empoderamento das pessoas”, numa experiência de auto-reconhecimento em que o coletivo “é essencial”, esclareceu. A oradora sublinhou que “nesse momento, existem várias iniciativas acontecendo em cidades portuguesas que vocês precisam conhecer”, ao que Joana Correia apontou que “falta trabalhar em rede”.

    Elisabeth apresentou o caso dos catadores de resíduos recicláveis em São Paulo, dando lugar a um debate sobre a reciclagem e o domínio de sociedades e empresas como a Ponto Verde e a ValorSul nesta área, em Portugal. “Como cidadã, não sei qual é a vantagem para a sociedade” de ser uma empresa a responsável por estas tarefas, mencionou um elemento do público. Uma das participantes referiu também que “em alguns municípios temos compostagem, mas não há escoamento do composto”, ao que Elisabeth responderia mais tarde: este composto pode ser utilizado em espaços verdes citadinos e nas florestas, alimentando-os e promovendo a captação de dióxido de carbono. Enquanto cidadãos, devemos lutar contra a incineração, frisou a oradora, que “causa problemas de saúde, é nociva para o meio ambiente e, além disso, queima matéria-prima”. Uma participante, quase no encerramento do debate, concluiu que “associadas ao lixo, numa visão integrada, têm de estar a água, a saúde, a educação...”.

    Em Grândola, as oradoras tiveram ainda a oportunidade de conversar acerca desta visão integrada com Carina Baptista, vereadora da Câmara Municipal, e com Alcides Bizarro, da Equipa Municipal de Coordenação Estratégica, Desenvolvimento, Relacionamento Institucional, Qualidade e Inovação.

    22 de junho
    Em Palmela, as oradoras foram recebidas pela coordenadora da equipa técnica da ADREPES, Natália Henriques, que descreveu em pormenor os projetos que esta associação e “intermediária de processos” gere em conjunto com os parceiros locais e as suas associadas, “com uma taxa de execução superior a 100%”. O Prove é um exemplo de uma candidatura da ADREPES ao financiamento europeu de um projeto que teve o seu início em Palmela e Sesimbra e que se disseminou por todo o país. No entanto, “nos projetos, entre os beneficiários são mais empresas do que cooperativas, há um problema de associativismo” na região que não permite “atingir a massa crítica”, lamentou Natália Henriques. A associação lançou, recentemente, um projeto que apoia os pescadores da zona, o Cabaz do Peixe, em conjunto com cooperativas como a Artesanal Pesca e a CESIBAL.

    A sede da associação, local escolhido para esta conversa, localiza-se no Espaço Fortuna - Artes e Ofícios, onde também são dinamizadas oficinas de cerâmica e azulejos.

    Na Biblioteca de Palmela, Edlisa comentou que a Economia Solidária envolve “um conjunto de atividades económicas, organizadas em autogestão e centradas no ser humano e não no lucro”. Corroborando, Elisabeth lembrou o ex-secretário de Estado para a Economia Solidária Paul Singer, que “falava da democracia como forma de organização dos excluídos pelo capitalismo”. Natália Henriques acrescentou, rindo, que “em Portugal nunca deixariam uma cooperativa instalar-se debaixo de um viaduto”, como fizeram os catadores da Coopamare, em São Paulo.

    O debate que se gerou depois das apresentações de Natália Henriques e das duas oradoras teve início com uma pergunta vinda do público: “Como se passa à ação” na Economia Solidária? Edlisa respondeu que “falta esse mapeamento [de iniciativas que já agem], por exemplo, na área da Soberania Alimentar” e que também ela sente “a necessidade de uma agenda comum”. Um membro da Rede Convergir que estava presente no debate comentou, contudo, que apresentam um mapeamento no seu site.

    Elisabeth afirmou que “a Economia Solidária não são só iniciativas produtivas, são também mudanças políticas”, o que levou um participante a elogiar as oradoras, que “não têm medo de palavras como capitalismo ou autogestão”. Natália Correia respondeu também à questão do início do debate, declarando que a ADRESPES passa à ação construindo “um processo com os produtores, a partir de um diagnóstico e procurando soluções”.

    23 de junho
    No dia 23 de Junho, a equipa do IMVF e Elisabeth Grimberg visitaram as instalações da empresa de recolha e separação de resíduos Valor Sul, onde Judite Leal, técnica de Comunicação e Imagem, guiou a Tour SSEDAS pela gestão de resíduos da área da Grande Lisboa e Região Oeste. Neste Ecocentro separam-se em sete tipos diferentes os plásticos e embalagens de 19 municípios, que produzem cerca de 900 mil toneladas de resíduos por ano.

    “Porque não há recolha de resíduos orgânicos porta a porta?”, perguntou Elisabeth, que se mostrava curiosa em relação a um sistema bastante diferente do dos catadores. Judite Leal respondeu que o biodigestor da Valor Sul é alimentado por “grandes produtores”, tais como restaurantes e cantinas, mas “apenas quatro municípios (Lisboa, loures, Odivelas e Vila Franca de Xira) recolhem os resíduos orgânicos” e, mesmo assim, “a capacidade da estação de tratamento e valorização está esgotada”. Outros temas debatidos foram os acionistas da ValorSul (o grupo Mota Engil comprou esta empresa em 2015, em consórcio com a espanhola Urbacer e a portuguesa SUMA) e a incineração e “valorização energética” em São João da Talha, que Judite Leal descreveu como resultado de “uma decisão estratégica e política perante o cenário da altura”.

    A visita às instalações do Ecocentro foi seguida por uma tarde na associação Renovar a Mouraria, o local escolhido por Filipa Lacerda e Gustavo Lopes Pereira, da Âmago, para realizar novas entrevistas vídeo com as oradoras.

    24 de junho
    Marta Alter, diretora técnica da ONGD MONTE (organização para o Desenvolvimento Integrado Sustentável), e Jorge Coelho, diretor executivo de Aliende – Associação para o Desenvolvimento Local, associada da MONTE, e ainda Inácia Rebocho, igualmente da MONTE, orientaram o debate em Évora sobre Economia Social e Solidária. Elisabeth Grimberg partiu das origens da Economia Solidária no Brasil, nos anos 1990s, para traçar paralelos com linhas políticas recentes do Ministério do Ambiente, como “o programa de compostagem que inclui uma bolsa para comunidades de baixa renda”. Segundo Elisabeth, “a garantia de um trabalho digno tem como condição a garantia de condições ambientais”.

    Edlisa Peixoto, por sua vez, apresentou o Instituto Banco Palmas dando especial destaque à sua vertente de “hibridização de economias” e ao “próximo passo: criar um Fundo Global” para a promoção da Economia Solidária. Para Inácia Rebocho, “estes testemunhos mostram a diversidade em que trabalhamos”.

    Um dos desafios colocados por várias pessoas presentes foi o de pensar estratégias para “criar autoestima” nas pessoas junto de quem as associações do concelho realizam “intervenção social”, como os e as jovens com deficiências ou os/as desempregados/as, incluindo aqueles/as que um elemento do público classificou como “catedráticos do desemprego, que não saem [do Rendimento Social de Inserção] porque não querem sair”.

    Ana Castanheira, do IMVF, salientou que uma das atividades previstas no âmbito do projeto SSEDAS é a organização de “workshops e formações descentralizadas para que associações e organizações apresentem estes desafios e encontrem, coletivamente, soluções”, mencionando o Encontro Cooperativo “Ritmos de Mudança” 2016, em Abrantes, de 1 a 3 de julho, onde se realiza a primeira destas ações.

    O debate em Évora e a Tour Economia Social e Solidária terminaram com esta partilha de experiências e duas entrevistas (brevemente, no site Solidarity Economy), em que as oradoras tiveram a oportunidade de fazer um breve resumo das suas experiências em Portugal, Bulgária, Croácia e Eslovénia e das suas ideias-chave sobre a Economia Solidária.
     
    Saiba mais sobre o projeto: http://pt.solidarityeconomy.eu/
    Acompanhe o projeto no facebook: Economia Social e Solidária – Portugal
    Fotos e vídeos no facebook: ÂMAGO – Multimédia para organizações dos setores sociais e desenvolvimento 

    Mais informações relevantes: Estudos e Vídeos promovidos no âmbito do projeto ESS em Portugal:
    Boa Prática ADREPES & Vídeo
    Boa Prática MONTE-ACE & Vídeo

    Tour Economia Social e Solidária 2016 regressa a Portugal para etapa final

    Portugal acolhe o encerramento da Tour de Economia Social e Solidária 2016, entre 21 e 24 de junho de 2016. A iniciativa enquadra-se no projeto europeu SSEDAS – Economia Social e Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF, e aposta numa reflexão e ação conjuntas do público europeu, em geral, e de dezenas de parceiros da Tour, em particular, sobre a temática. Depois de ter começado em Portugal, a Tour passou pela Bulgária, Eslovénia e Croácia. 


    Um intercâmbio de experiências de economia solidária entre o Brasil e a Europa que traz as oradoras brasileiras Edlisa Peixoto e Elisabeth Grimberg a Portugal, a par da sua passagem pela Bulgária, Eslovénia e Croácia. Partilhando a realidade solidária e emancipatória do Brasil, a realizadora Edlisa Peixoto dá-nos a ver no documentário “Palmas” aquele que foi o primeiro Banco Comunitário do país, e Elisabeth Grimberg, cofundadora do Instituto Pólis, em São Paulo, fala-nos da luta pelo reconhecimento do trabalho dos catadores de resíduos sólidos. Nesta última etapa da Tour em Portugal, serão visitadas duas boas práticas portuguesas na área: a associação ADREPES, no distrito de Setúbal, e a ONGD MONTE-ACE, no distrito de Évora.

    A etapa final inicia-se no dia 21 de junho, à tarde, em que as oradoras da Tour irão encontrar o público de Grândola, num debate sobre a autoinclusão dos catadores de resíduos sólidos por via do seu trabalho de recuperação de materiais recicláveis e educação ambiental no Brasil, seguido de apresentação do documentário “Palmas”, de Edlisa Peixoto. Dia 22, o debate  e o documentário seguem com a Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal (ADREPES), em Palmela, e no dia 24 de junho viajam até Évora, num encontro com a MONTE-ACE – Desenvolvimento Alentejo Central.

    O projeto Economia Social e Solidária (solidarityeconomy.eu), financiado pela União Europeia, fala 23 línguas e pretende convidar os cidadãos a protagonizar esta realidade em 46 territórios/regiões da Europa e do Sul Global.

    A Economia Solidária proporciona emprego e rendimento a cerca de 2,3 milhões de pessoas, no Brasil. Em Portugal, tem vindo a crescer e a merecer cada vez mais atenção. Iniciativas como  associações de desenvolvimento local, lojas de comércio justo ou bancos do tempo, são o motor de uma mudança social e económica com base na participação, reciprocidade e equidade.

    Consulte o programa mais detalhado da última etapa da Tour Economia Social e Solidária 2016 em Portugal aqui e a biografia completa das oradoras aqui. Acompanhe a Tour na página de facebook aqui.

    Tour Economia Social e Solidária 2016: Terra Chã já foi ao Brasil e o Brasil vem para ficar

    Quantas comunidades poderiam estar a conhecer este exemplo de economia solidária? Domingo, dia 22, foi um dia de Brasil na Terra Chã. O dia na companhia de António, Júlio, Pedro, Sónia e Raúl, que mostraram a Elisabeth Grimberg e Edlisa Peixoto – oradoras brasileiras da Tour Economia Social e Solidária 2016, integrada no projeto europeu SSEDAS – um pouco do que de melhor esta cooperativa tem vindo a edificar, a partir das experiências do Rancho Folclórico de Chãos. Uma aldeia que se equilibra entre a serra e o planalto e se cumprimenta pelas ruas que nos devolvem a um ponto de partida diferente.

    Elisabeth Grimberg, coordenadora da área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, em São Paulo, e Edlisa Peixoto, realizadora do documentário “Palmas” sobre o primeiro banco comunitário brasileiro, percorreram a 1ª etapa da Tour Economia Social e Solidária 2016 em Portugal, de 20 a 23 de maio. Estiveram em Lisboa e no concelho de Rio Maior, na companhia da cooperativa Terra Chã. A Tour Economia Social e Solidária integra o projeto Economia Social e Solidária (solidarityeconomy.eu) financiado pela União Europeia e que pretende convidar os cidadãos a protagonizar esta realidade em 48 territórios/regiões da Europa e do Sul Global, sendo um palco para sinergias e encontros.
     
    “São dois para lá, dois para cá”
    A dança de um grupo como a de um rancho folclórico não deixa margem para dúvidas. Há que se estar atento ao parceiro do lado e ao grupo como um todo para fazer acontecer. Há mesmo que se equilibrar entre as regras do grupo e alguma liberdade de movimento para acertar o passo ou improvisar novos. E foi neste ritmo coletivo, de uma juventude com ganas de conviver, recuperar tradições e trazer o mundo a Chãos, que a participação da comunidade é a chave que a mantém colaborativa desde os anos 80 e como cooperativa há mais de 15. Atenta às potencialidades de cada um e a soluções para os desafios que enfrenta.

    No edifício da cooperativa, que alberga diferentes espaços como um restaurante, quartos de alojamento de natureza, ateliês e uma loja de produtos produzidos pela cooperativa, é possível ver como a Terra Chã se trata de um verdadeiro ponto de encontro. Mas nem sempre foi assim. “No princípio havia alguma desconfiança…” mas, a pouco e pouco, as pessoas perceberam que havia que introduzir mudanças “para se prestar um melhor serviço”, partilha Júlio Ricardo durante um almoço onde imperaram sabores singulares de galo com noz e bacalhau com migas.

    Hoje, a Terra Chã reúne 65 sócios cooperantes, criou sete postos fixos de trabalho, conta com dois colaboradores através do IEFP de Santarém, três voluntários do Serviço de Voluntariado Europeu (SVE) e ajudou a mudar as mentalidades. Muitos voltaram à escola e os mais jovens prosseguem os estudos depois do liceu. “Alguns até ficam na terra”, conta ainda Júlio Ricardo. Pedro Mendonça, entusiasta, é um destes casos, ocupando-se em parte do projeto das cabras serranas e da apicultura na cooperativa.

    À tarde, em conversa com António Frazão e Júlio Ricardo, membros da direção da cooperativa, Edlisa e Elisabeth partilham métodos de gestão, a partir das experiências do Instituto Pólis e do Banco Palmas. Partilham que no Brasil são as mulheres quem assina o contrato da casa para a salvaguardar de hipotecas. Sublinham a importância do fundo de reserva para a sustentabilidade das organizações. Sugerem as potencialidades do crowdfunding (financiamento com base em doações) para ajudar a dar corpo a projetos e falam dos contributos inestimáveis dos voluntários. Uma doação de tempo e entrega que espelha a história dos 60% de mão-de-obra voluntária na construção da casa da Terra Chã.

    As histórias que Elisabeth e Edlisa têm para contar passam também por comunidades que, refletindo sobre a sua situação, resolveram organizar-se para melhorar a vida de todos e de cada um. No Brasil, 800.000 catadores de resíduos estão organizados em 60.000 cooperativas lutando pela melhoria das suas condições de trabalho e por um rendimento que traduza o papel imprescindível que têm na economia: recolher, separar e recuperar para a indústria material reutilizável.

    Um trabalho de muita determinação contra uma discriminação social fortíssima, sublinha Elisabeth Grimberg, do Instituto Pólis. O mesmo se passou em Fortaleza, Ceará, onde o preconceito relativamente ao Conjunto Palmeiras era grande. Um bairro onde uma comunidade de pescadores deslocada para o interior, a 20 quilómetros do mar, cria a sua própria moeda – o Palmas – incentivando a poupança dos moradores com vista ao investimento em pequenos negócios e impulso do consumo local. A documentarista Edlisa Peixoto está convicta de que estas iniciativas não estão confinadas ao território onde se desenvolvem, tanto que hoje, com a ajuda da tecnologia gerada no Palmeiras, foi possível estender o fenómeno a mais de 100 bancos no Brasil.  
     
    Sementes de futuro em chão comunitário
    “Esta componente de economia solidária, que nos chegou do Brasil através destes dois projetos apresentados pela Elisabeth e a Edlisa, permite-nos associar aquilo que foi o processo de desenvolvimento na aldeia de Chãos com os projetos que ouvimos falar do Brasil, em que há uma metodologia e um enquadramento que acaba por ser similar. Nós já conhecíamos o Brasil, experiências de Economia Solidária da Fundação Casa Grande a partir de projetos no Ceará, e acabou por se perceber que, com as metodologias corretas, a capacidade de fazer participar as populações, os projetos acabam por ser dinâmicos bem como sementes de futuro”, chama a atenção Júlio Ricardo.

    Por isso, “há que pensar com as pessoas, fazer com as pessoas e para as pessoas, para que, no fim, elas possam avaliar os processos em que estiveram envolvidas e alimentar processos futuros” com vista a um “Desenvolvimento Sustentável”. É importante, por exemplo, que as pessoas pensem que “há uma luta que a comunidade tem de desenvolver para que a riqueza gerada nos nossos terrenos possa ser de nossa propriedade também”, prossegue.
     
    Raul, a força da natureza
    Depois da visita à casa da cooperativa, António e Júlio mostraram as terras por onde as 130 cabras serranas seguem religiosamente os chamamentos de Raul Rodrigues. “Raul me comoveu profundamente”, partilha Edlisa. “Raul compunha com a natureza de uma maneira diferente. [...] O pastor estava ali, fazendo o trabalho dele... Houve uma sinergia entre nós”, prossegue Elisabeth do alto da serra e das emoções. Um profissional para quem a vida “é difícil” mas com destino marcado quando, aos cinco anos, avistando regularmente um pastor à porta de casa, ficou a saber por onde o seu coração passaria nos seguintes 40 anos. Também Edlisa e Elisabeth ficaram a saber que Chãos entrava nas suas vidas para ficar.

    As oradoras brasileiras Elisabeth Grimberg e Edlisa Peixoto são convidadas da Tour Economia Social e Solidária 2016 que passa por 4 países europeus – começando e terminando em Portugal – no âmbito do projeto SSEDAS – Economia Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF.

    Tour Economia Social e Solidária 2016: “É preciso não só gerar como também (re)distribuir a riqueza”

    Como distribuir os benefícios por todos? À mesa coloca-se inevitavelmente a diferença entre a pressa do crescimento e o passo lento do Desenvolvimento. Numa aula aberta na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na tarde de 23 de maio, alunos de mestrado e doutoramento em Ecologia Humana dialogaram com Elisabeth Grimberg, coordenadora da Área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, em São Paulo, e Edlisa Peixoto, realizadora do documentário “Palmas” sobre o primeiro banco comunitário brasileiro. Há fome de “democracia económica, equidade, sustentabilidade... produção da vida”, reinvindica Elisabeth Grimberg.  

    Desde 1989, quando começaram as primeiras cooperativas de catadores de resíduos, já se podia perceber que o trabalho de recuperação de materiais reutilizáveis “traz benefícios sociais, económicos, culturais e ambientais para as cidades”, avança Elisabeth, do Instituto Pólis. Uma instituição que há quase 30 anos se dedica ao estudo e formulação de políticas públicas municipais bem como estratégias de desenvolvimento local. Em 2000 “dá-se um salto”, prossegue.

    Com a campanha da UNICEF para retirar 50.000 crianças das lixeiras – Criança no Lixo, Nunca Mais – foi possível começar a pensar nacionalmente de forma integrada na questão dos catadores (não só das lixeiras como daqueles que trabalham nas ruas). “Como é que você tira a criança se os pais precisam daquela mão-de-obra?”, questiona. Como alude de imediato Iva Pires, anfitriã do encontro e coordenadora dos estudos de Ecologia Humana, “há que ir à raiz do problema”. Há que implementar “coleta (recolha) seletiva” e fazer com que os pais tenham “direito ao trabalho organizado fora do lixão, com moradias, assistência social, saúde, educação...”, garante a ativista do Instituto Pólis que viveu a intensa experiência de fechar uma lixeira em São Bernardo do Campo.

    Ganha entretanto força, em 2001, o Movimento Nacional de Catadores, no Fórum Social Mundial. Hoje, para Elisabeth, uma das questão centrais é a criação de uma Agência Nacional de Resíduos Sólidos que controle a aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010, com o governo Lula.

    Contra a poluente incineração e a favor da reutilização de cerca de 90% dos resíduos sólidos, os desafios são grandes: reduzir, reutilizar, reintroduzir. No Brasil, por um lado, ainda há um desperdício enorme de materais recicláveis secos que vão parar a aterros e a lixeiras. Por outro lado, para a gestão dos resíduos recicláveis orgânicos há que apostar na sua reintrodução no solo, mediante a compostagem, e na produção de energia limpa da biodigestão. Neste processo energético, “o sistema confinado captura o gás metano, 21 vezes mais impactante que o CO2, abate a emissão de gases do efeito estufa e não queima”, explica Elisabeth. Para os aterros só deveria ir o material não reciclável, até se alcançarem os objetivos da Aliança  Resíduos Zero. Surgido nos anos 70, o Resíduo Zero inspira-se nos ciclos naturais de vida, eficientes e sustentáveis, em que tudo é transformado em outros recursos, sem desperdício e sobras.   

    A Política Nacional de Resíduos Sólidos não tem, entretanto, só um cariz ambiental mas também social. Há que promover a integração das pessoas que trabalham na área de recolha, separação e recuperação de materiais recicláveis e que fazem um importante trabalho de sensibilização dos cidadãos para estas questões, chama ainda a atenção Elisabeth.

    Utopias?
    Autoinclusão. Segundo Edlisa Peixoto, podemos começar, cada um de nós, por questionar-nos se é real aquilo em que acreditamos. A comunidade do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza (Ceará), é um exemplo disso. “Porque é que somos pobres? Porque não temos dinheiro. E porque é que não temos dinheiro? Porque somos pobres... Mas seriam mesmo pobres?”. Uma comunidade que coletivamente gasta um milhão e duzentos mil reais não é pobre, constataram os moradores. Então... “A gente não é pobre. Alguém está ganhando o nosso”.

    “Muitos pequenos comércios tinham acabado no Palmeiras porque ninguém comprava lá”, conta Edlisa. Houve um processo de sensibilização junto dos moradores e dos comerciantes, explicando o que significaria usarem e aceitarem uma moeda complementar. “Na verdade, aceitar uma moeda dessas significa muito mais do que ter um papel em dinheiro. Significa dizer que outra forma de economia é possível. Outra forma de nos relacionarmos com o consumo é possível”, relata a entusiasta Edlisa que não se desligou mais do bairro.

    Para redistribuir a riqueza –antes gasta fora da comunidade – entre os moradores do Palmeiras fomentou-se, por um lado, a poupança e, por outro, o investimento na produção e consumo solidário com moeda própria. A moeda de um banco da comunidade: o Banco Palmas. Também é necessária uma justa distribuição dos rendimentos gerados na indústria para incluir quem trabalha na recuperação de materiais recicláveis mas não recebe uma remuneração fixa por isso. “Os catadores foram os únicos que tiraram esses materiais de aterros e de lixões e produziram a sua sobrevivência. A gente lutou até chegar a lei para o reconhecimento, para terminar com a perseguição, discriminação”, defende Elisabeth, para quem “é preciso não só gerar como também (re)distribuir a riqueza”.

    O que parecem utopias não são mais do que verdades que se vão fazendo na “necessidade do local”, assegura Edlisa. Em fevereiro passado teve a oportunidade de conhecer diversas iniciativas locais de Economia Solidária em Portugal, algumas das quais reunidas em Faro no II Fórum de Finanças Éticas e Solidárias. Para a psicóloga e realizadora de “Palmas”, é importante que a Universidade chegue cada vez mais perto da realidade dessas iniciativas. Para os alunos, “foi importante aprofundar conceitos” e refletir sobre diferentes caminhos possíveis para o desenvolvimento.

    As oradoras brasileiras Elisabeth Grimberg e Edlisa Peixoto são convidadas da Tour Economia Social e Solidária 2016 que passa por quatro países europeus – começando e terminando em Portugal – no âmbito do projeto SSEDAS – Economia Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF.

    Donos de um destino coletivo: debate “Alternativas em prática: exemplos de Economia Social e Economia Solidária”

    Dia 21 de maio à tarde, visitaram o evento Portugal Economia Social na FIL, em Lisboa, duas experiências de Economia Solidária sem fronteiras. Elisabeth Grimberg, coordenadora da Área de Resíduos Sólidos do Instituto Pólis, em São Paulo, e Edlisa Peixoto, realizadora do documentário “Palmas”, deram a conhecer formas de fazer economia emancipatórias e não assistencialistas, como sublinhou Rogério Roque Amaro, moderador do debate e membro fundador da Rede Portuguesa de Economia Solidária. Uma economia onde as mulheres lutam para se posicionar. Uma vez, “o meu marido até me disse que eu tinha de escolher: ou ele ou a comunidade. Eu escolhi a comunidade”, partilha no documentário Marinete, primeira analista de crédito do Banco Palmas, o primeiro banco comunitário do Brasil.

    O que podem ter em comum experiências de Economia Solidária geograficamente distantes? “O movimento popular brasileiro tem muito a ver com uma coisa que também temos em Portugal e que é o mutirão, o princípio da entreajuda. Nós, em Portugal, temos o princípio da ajudada, em Trás-os-Montes, por exemplo. Nesse princípio da solidariedade, da reciprocidade gratuita” – numa troca de bens/serviços – “cada um está disponível para ajudar o outro”, explica Roque Amaro. No caso dos exemplos trazidos do Brasil, podemos ver ações que, a partir da partilha e troca de recursos, potenciam tanto o rendimento como o desenvolvimento humano das comunidades. 

    Autónomo mas “tem que ralar”

    Quando se fala de autonomia na Economia Solidária acresce-se numa responsabilidade coletiva no trabalho desenvolvido, onde a participação de cada um e a igual repartição dos benefícios gerados por todos são estruturantes. “Quando a gente vê que as coisas estão meio paradas [...] a gente senta, a gente conversa. [...] Tem que trabalhar. Tem que ralar”, garante Maria Dulcineia, tesoureira da COOPAMARE, no documentário “Boas Práticas de Economia Solidária: COOPAMARE”.

    Desde 1989, a Cooperativa de Catadores Autónomos de Papel, Aparas e Material Reaproveitável (COOPAMARE) é uma cooperativa de catadores de resíduos sólidos exemplo de integração social e resiliência no Brasil. Estas cooperativas têm um trabalho altamente especializado: há “várias categorias de plásticos, de papel, de vidros e de metais”, tal como comprovam as “7 categorias por onde se distribuem 500 tipos de plástico”, especifica Elisabeth Grimberg.

    Hoje, no Brasil, a quase 60 anos de luta, “tem marco legal, condições tecnológicas, financeiras, organizativas para se recuperar cerca de 90% de todos os resíduos sólidos urbanos gerados e integrar as cooperativas”, garante ainda a ativista do Instituto Pólis. Porém, na área da recolha, separação e recuperação de materiais reutilizáveis, considera que é preciso formalizar a prestação de um serviço de utilidade pública sob forma cooperativista.

    Sem uma remuneração fixa, os catadores de resíduos são reféns da flutuação dos preços dos materiais recicláveis que a indústria compra e de uma estrutura logística muito cara. É o Estado – sobretudo através das Prefeituras (câmaras) – quem mais tem apoiado o trabalho dos catadores, oferecendo instalações, equipamentos, combustível ou capacitação. Na visão de Elisabeth Grimberg, o setor empresarial deve, porém, assumir as responsabilidades de um ciclo produtivo que passa pela inclusão do trabalho desenvolvido pelas coperativas dos catadores de resíduos: “Em vez de custear o sistema de coleta (recolha) seletiva e remunerar as cooperativas como seria a sua obrigação, o setor empresarial está a dar-lhes recursos, dizendo que essa é a forma de praticar a responsabilidade social corporativa e empresarial”, denuncia.

    Bancos comunitários nem formalizados nem proibidos

    No conjunto Palmeiras, em Fortaleza (Ceará), a comunidade resolveu incentivar a produção e o consumo interno para fazer com que o dinheiro aí circulasse mais tempo. A pouco e pouco, fazem-se pequenos empréstimos em reais (para compra do que fosse necessário para montar negócio). Por outro lado, criam-se formas de pagamento – como a moeda social “Palmas” – para incentivar o consumo solidário na comunidade. Nascia assim o Banco Palmas. Logo de início pensou-se: vamos juntar todas as mulheres que ganham o Bolsa Família e “vamos ensinar-lhes a montarem pequenos negócios”, relembra Edlisa Peixoto. “Como diz o Joaquim (fundador do Banco Palmas), enquanto uma pessoa não se sentir capaz de criar, ela pode ter dinheiro mas ela vai continuar miserável. [...] Todo o trabalho das cooperativas de catadores também passa por isso. É ensinar a construir, ensinar a fazer...”, completa.

    Mas quem deu a ideia de se fazer este banco? Os líderes que se mantêm há 30 anos na comunidade cresceram na difícil situação em que um conjunto de pessoas, de repente, se encontrou. 1500 famílias – muitas ligadas à pesca – sem quaisquer condições, quando levadas das zonas costeiras em 1973 para uma área de mato a 20 quilómetros do mar. Com uma forte entreajuda, o desejo de mudança da comunidade reforçou-se com o apoio das Comunidades Eclesiásticas de Base – padres que não só ajudaram as pessoas a refletir mas também a agir sobre a sua realidade – sem que, porém, nenhum milagre tivesse de acontecer. As lideranças no Conjunto Palmeiras continuam a desenvolver-se entre os jovens que se dedicam às tecnologias. São eles quem mapeia a comunidade e atraem novas parcerias. Trazem wi-fi ao bairro e apostam no software livre para semear novas iniciativas comunitárias.  

    Hoje na Venezuela, graças à adoção da metodologia do Palmas, criaram-se 3600 bancos comunitários, com um Fundo Nacional de Apoio e uma Lei dos Bancos Comunitários. Um reconhecimento legal que no Brasil ainda está a aguardar luz verde mas onde os bancos geridos pela comunidade não foram proibidos, existindo mais de 100 espalhados pelo país.

    “Eu acho que essa história tem uma função: fazer a gente acreditar que, se essas pessoas puderam fazer a revolução que fizeram nas condições que tinham, nós podemos muito”, desafia a realizadora de “Palmas”.
    As oradoras brasileiras Elisabeth Grimberg e Edlisa Peixoto são convidadas da Tour Economia Social e Solidária 2016 que passa por 4 países europeus – começando e terminando em Portugal – no âmbito do projeto SSEDAS – Economia Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF.

    Tour Economia Social e Solidária 2016 começou dia 20 de maio em Portugal

    Arrancou em Portugal, dia 20 de maio, a Tour Economia Social e Solidária 2016. Uma viagem que traz o Brasil para a Europa para a partilha de experiências de Economia Solidária. Foi conhecido aquele que foi o primeiro Banco Comunitário do Brasil, no Ceará – o Banco Palmas – pelo olhar de Edlisa Peixoto e o reconhecimento dos catadores de lixo como trabalhadores no campo da recuperação de materiais recicláveis, promovido pelo Instituto Pólis, em São Paulo, na voz da sua cofundadora, Elisabeth Grimberg.


    A iniciativa enquadra-se no projeto europeu SSEDAS – Economia Social e Solidária e aposta numa reflexão conjunta do público europeu, em geral, e de dezenas de parceiros da Tour, em particular, com estas especialistas brasileiras sobre práticas, contextos e desafios da Economia Social e Solidária. No facebook.com/ssedastour2016 será possível acompanhar a Tour em Portugal.

    Dia 20 de maio, à tarde, as oradoras da Tour visitaram a Feira Portugal Economia Social, na FIL, em Lisboa. Dia 21, de manhã, estiveram de visita ao CIDAC e entre as 14h30 e as 17h00 regressaram à FIL para participar no debate “Alternativas em Prática: exemplos de Economia Social e de Economia Solidária” e apresentação do documentário “Palmas”, de Edlisa Peixoto. No dia 22, conhecem o trabalho da cooperativa Terra Chã e dia 23 de manhã a cooperativa Outro Modo e aAssociação Renovar a Mouraria. A partir das 15 horas, as duas duas oradoras participaram na aula aberta organizada pela professora Iva Miranda Pires, no Bar do Edífico de ID, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL). Mais informações sobre este encontro aqui. Entre 19 e 24 de junho, estão previstos, desde já, encontros em Grândola e Palmela.

    No Brasil, onde a Economia Solidária proporciona emprego e renda a cerca de 2,3 milhões de pessoas, aposta-se na reciprocidade, valoriza-se saberes locais, inova-se nas estratégias encontradas para os problemas sociais e promove-se a emancipação dos cidadãos. Em Portugal, a Economia Social e Solidária tem vindo a crescer e a merecer cada vez mais atenção. Cooperativas, associações de desenvolvimento local, banca ética, mutualidades, lojas de comércio justo, entre outros são o motor de uma mudança social e económica que se pensa e elabora dia-a-dia.

    O projeto Economia Social e Solidária financiado pela União Europeia fala 23 línguas e pretende convidar os cidadãos a protagonizar esta realidade em 48 territórios/regiões da Europa e do Sul Global, localizando-a, sendo um palco para sinergias e promovendo encontros, como a Tour de oradores internacionais. A Tour Economia Social e Solidária 2016 começa e termina em Portugal, passando pela Bulgária, Eslovénia e Croácia, durante a qual as oradoras vão partilhar os seus conhecimentos e experiências.


    Conheça o programa da Tour aqui e a biografia das oradoras aqui.

    Economia Social e Economia Solidária em debate organizado pelo IMVF no evento “Portugal Economia Social”

    No âmbito do projeto Economia Social e Solidária (SUSY – SUstainable and Solidarity EconomY), o IMVF vai estar presente no “Portugal Economia Social”, um evento que tem como objetivo mostrar e estimular o potencial do setor da economia social em prol do desenvolvimento económico do país. O evento decorre nos próximos dias 19 e 21 de maio, na Feira Internacional de Lisboa – FIL.


    Para partilhar exemplos concretos deste modelo económico alternativo, o IMVF vai promover, no dia 21 de maio, o debate “Alternativas em prática: exemplos de Economia Social e Economia Solidária” (Auditório Montepio, Pavilhão 1), com a participação de duas oradoras vindas do Brasil: Edlisa Peixoto, realizadora do documentário “Palmas”, que conta a história de uma comunidade cearense que, na década de 70, criou uma série de soluções inusitadas para resolver os seus problemas socioeconómicos, e Elisabeth Grimberg, sócia-fundadora do Instituto Pólis, em São Paulo, no qual é coordenadora da Área de Resíduos Sólidos, e que irá partilhar as suas reflexões sobre práticas de Economia Social e Solidária, em particular, no contexto dos resíduos recicláveis. 
     
    A moderação do debate estará a cargo de Rogério Roque Amaro, professor associado do Departamento de Economia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE-IUL) e membro fundador da Rede Portuguesa de Economia Solidária. Após o debate, será exibido o documentário “Palmas” e haverá espaço para uma conversa com a realizadora.
     
    A participação das duas oradoras no “Portugal Economia Social” integra-se na tour europeia organizada pelo projeto Economia Social e Solidária (SUSY – SUstainable and Solidarity EconomY), com início em Portugal e que seguirá para a Bulgária, Eslovénia e Croácia, e cujo objetivo é possibilitar uma partilha de informação e testemunhos entre o público europeu e oradores de outras regiões do mundo, favorecendo a aprendizagem e o aprofundamento de conhecimentos sobre a temática.
     
    Durante os 3 dias do evento, o IMVF terá um stand (Pavilhão 1) onde divulgará, entre outros, o projeto Economia Social e Solidária, que implementa em Portugal desde fevereiro de 2015, em conjunto com vários parceiros europeus e que conta com o financiamento da União Europeia. Este projeto procura sensibilizar os cidadãos para a importância do papel que a Economia Social e a Economia solidária podem ter na luta contra a pobreza global, através da criação de relações justas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, de modo a que haja maior justiça social, maior respeito pelos direitos humanos e um incentivo a modos de vida sustentáveis. 

    Mais informações sobre o projeto Economia Social e Solidária aqui e sobre o evento Portugal Economia Social aqui.

    Projeto Economia Social e Solidária: parceiros estiveram reunidos em Florença

    Os parceiros do projeto Economia Social e Solidária, implementado em Portugal pelo IMVF, estiveram reunidos em Florença, Itália, de 16 a 18 de fevereiro de 2016, para aprofundar conhecimentos e partilhar experiências sobre conceitos e práticas de Educação para a Cidadania Global na formação europeia de multiplicadores.

     
    O grupo, composto por 51 participantes de 23 estados-membros, abordou as diferentes atividades e etapas do projeto Economia Social e Solidária (“SUSY – SUstainable and Solidarity EconomY”), tendo sempre presente a diversidade dos territórios abrangidos (46 territórios europeus – em Portugal, as regiões-alvo são a Grande Lisboa e o Alentejo – e 9 territórios em Países em Desenvolvimento). Esta formação de 3 dias pretendeu reforçar as competências e os métodos educativos relacionados com a principal temática do projeto: a Economia Social e Solidária. O projeto está alinhado com a definição de que “a Economia Social e Solidária é um modo de satisfazer as necessidades humanas através das atividades económicas – como a produção e troca de serviços – que reforce os valores da justiça social, sustentabilidade ambiental, cooperação, mutualismo, comunidade e democracia” (Réseau Intercontinental de Promotion de L'économie Sociale Solidaire - RIPESS).

     
    A Economia Social e Solidária apresenta-se como uma forma alternativa de compreender a economia, colocando as pessoas e o ambiente em primeiro lugar. Neste sentido, a equipa de Educação para a Cidadania Global do IMVF, presente neste encontro, considera que “as boas práticas de Economia Social e Solidária, até agora recolhidas nos vários países, mostram que este é um setor vivo, dinâmico e capaz de dar resposta aos desafios glocais que hoje enfrentamos. Falamos de práticas alimentares, de serviços comerciais e financeiros, de turismo, entre outras, que colocam no centro da sua atividade as pessoas e o planeta”.
     
    A equipa considera imperativo “reforçar parcerias entre os agentes da Economia Social e Solidária e outros agentes do desenvolvimento, para que conjuntamente possam aprofundar a partilha de boas práticas e contribuir de forma efetiva para dois dos maiores problemas que atualmente enfrentamos: a pobreza e a desigualdade”. Um dos principais objetivos a cumprir no conjunto das atividades já planeadas é o de “mostrar que é possível ter um modelo económico diferente e mais justo”.

    O projeto Economia Social e Solidária é financiado pela União Europeia e é implementado em 23 países europeus por 26 associações. Em Portugal, é implementado pelo IMVF. O principal objetivo é fortalecer as competências dos atores locais envolvidos na Economia Social e Solidária, promovendo um novo paradigma de desenvolvimento económico, para que se combata a pobreza e exista um modo de vida equilibrado e sustentável.
     
    Conheça as boas práticas de Economia Social e Solidária já disseminadas em vídeo aqui.
    Saiba mais sobre este projeto no website em português aqui e no facebook aqui.

    Economia Social e Solidária: projeto quer promover um novo paradigma de desenvolvimento económico mais equilibrado e sustentável

    O Instituto Marquês de Valle Flôr, juntamente com 25 associações em 23 países europeus está a implementar o projeto Economia Social e Solidária (“SUSY – SUstainable and Solidarity EconomY”), financiado pela União Europeia, cujo principal objetivo é fortalecer as competências dos atores locais envolvidos na economia social e solidária e promover um novo paradigma de desenvolvimento económico, de forma a combater a pobreza e a partilhar um modo de vida equilibrado e sustentável.


    Cooperativas, associações de desenvolvimento local, banca ética, mutualidades, lojas de comércio justo são exemplos de economia social e solidária, modelos de produção, distribuição, consumo e poupança que se baseiam em princípios de equidade, sustentabilidade, participação e em ligação direta com o território. O projeto Economia Social e Solidária pretende dar a conhecer as melhores práticas de economia social e solidária desenvolvidas a nível nacional, europeu e internacional, para que todas as pessoas interessadas e envolvidas em iniciativas nesta área possam interagir e partilhar novas ideias e práticas e descobrir e participar em futuras oportunidades e possibilidades de economia social e solidária.

    Implementado em Portugal pelo IMVF em parceria com várias associações internacionais, este projeto que decorre entre 2015 e 2018 foi oficialmente apresentado no passado dia 8 de outubro de 2015 em Bolonha, Itália. O principal orador do evento foi o economista e professor universitário, Paulo Singer, da Secretaria Nacional da Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego do Governo do Brasil, considerado o fundador da Economia Social e Solidária.

    Investigação, formação, informação/comunicação e advocacia são os quatro vetores chave a partir dos quais o projeto Economia Social e Solidária vai ser desenvolvido. As atividades de investigação envolvem o mapeamento das melhores práticas de economia social e solidária em 46 territórios da União Europeia e em 10 países do mundo (Brasil, Bolívia, Índia, Israel, Malásia, Maurícias, Moçambique, Palestina, Tunísia e Uruguai). As melhores práticas serão analisadas e comparadas em vários workshops em toda a Europa e as formações serão realizadas nos 46 territórios envolvidos no projeto.

    Está também prevista a realização de várias atividades de comunicação e informação, desde o lançamento de um websitecom um mapa das experiências de economia social e solidária mais relevantes até à realização de uma vídeo-reportagem, competições e festivais de cinema. Os cidadãos europeus serão também alvo de ações de sensibilização através de vários eventos locais, enquanto as atividades de advocacia vão envolver principalmente representantes institucionais e políticos a nível europeu e local.

    A Economia Social e Solidária é um fenómeno em crescimento, com aproximadamente 6,5% cidadãos europeus a trabalhar diretamente neste setor (Parlamento Europeu). A nível europeu, Espanha, Portugal, Bélgica e França têm também uma legislação nacional sobre a Economia Social e Solidária. O Luxemburgo também estabeleceu um ministério específico para acompanhar este tema, e em Itália existe atualmente 10 leis regionais sobre esta matéria. Mas é nos países da América Latina que a ESS regista os seus maiores sucessos.

    O que é a Economia Social e Solidária?
    Existem várias definições de Economia Social e Solidária (ESS). No entanto, destacamos a definição da RIPESS (Rede Intercontinental para a Promoção da Economia Social e Solidária):

    “A Economia Social e Solidária é um movimento que pretende promover a mudança em todo o sistema social e económico, defendendo um paradigma de desenvolvimento diferente assente nos princípios da Economia Solidária. A Economia Social e Solidária é assumida como uma dinâmica de reciprocidade e solidariedade que concilia os interesses individuais com os coletivos”.

    De forma mais simples, a Economia Social e Solidária pretende promover e criar condições de vida dignas para todos e todas a uma escala glocal. Significa que a economia reconhece as necessidades de todas as pessoas ao invés de criar mais necessidades – e permite criar as condições necessárias para estabelecer políticas nacionais e internacionais que tornem a ESS uma realidade.

    Parceiros: 
    O projeto Economia Social e Solidária (Susy – SUstainable and Solidarity EconomY) é implementado pelas seguintes organizações: COSPE and Fairwatch (Itália), Südwind Agentur (Áustria), Inkota (Alemanha), Deša Dubrovnik (Croácia), Kopin (Malta), Cerai (Espanha), Polish Fair Trade Coalition (Polónia), Ekumenicka Akademie Praha Europe (República Chega), Fair Trade Hellas (Grécia), ngo Mondo (Estónia), Balkan Institute for Labour e Social Policy (Bulgária), Cardet (Chipre), Pro Ethical Trade Finland (Finlândia), Resources Humaines sans Frontières (França), The Co-operative College e Think Global (Reino Unido), Cromo Foundation e Foundation for Development of Democratic Rights DemNet (Hungria), Instituto Marquês de Valle Flôr (Portugal), Terra Mileniul III Foundation (Roménia), Slovak Centre for Communication e Development (Eslováquia), Peace Institute – Institute for Contemporary Social e Political Studies (Eslovénia), Action pour le Développement Asbl – Sos Faim (Bélgica), Green Liberty (Letónia) e Waterford One World Centre (Irlanda).
     
    Mais informações sobre o projeto em: www.solidarityeconomy.eu

    Quatro projetos de Cooperação para o Desenvolvimento e de Educação para a Cidadania Global tiveram início em 2015

    Desenvolvimento rural, segurança alimentar e nutricional, economia social e solidária, desenvolvimento sustentável, justiça social, direitos humanos, direitos laborais e comércio justo são as principais temáticas associadas aos mais recentes projetos que tiveram início em 2015 e que estão a ser implementados pelo IMVF e cofinanciados pela União Europeia, nas vertentes de Cooperação para o Desenvolvimento e de Educação para a Cidadania Global, na Guiné-Bissau e em Portugal.
     
    Na Guiné-Bissau, os dois projetos de Cooperação para o Desenvolvimento, “Nô Fia Na Crias - Sistema Integrado Cooperativo e Comunitário de Produção Avícola, Caprina e Derivados para a Região de Cacheu” e “UE-ACTIVA - Ações Comunitárias Territoriais Integradas de Valorização Agrícola - Eixo 1: Governação Territorial” tiveram início em julho de 2015. O primeiro tem como objetivos contribuir para a segurança alimentar e nutricional de forma a alcançar a soberania alimentar na região de Cacheu através do estabelecimento da fileira de produção avícola e caprina sustentável e desenvolver um sistema integrado cooperativo e comunitário de produção avícola, caprina e derivados para aumentar a disponibilidade e o acesso a fontes proteicas e contribuir para a melhoria das condições de vida dos criadores pecuários. O segundo tem como objetivos contribuir para a melhoria das condições económicas e sociais da população da Guiné-Bissau, em particular, das regiões de Cacheu, Bafatá, Gabu, Quinara e Tombali e promover a melhoria da governação territorial nas regiões de Bafatá, Quinara e Tombali.
     
    O projetos de Educação para a Cidadania Global “Economia Social e Solidária” e "Fruta Tropical Justa - Promover as Frutas Tropicais Justas no Ano Europeu para o Desenvolvimento e Pós-2015" tiveram início em fevereiro e em março de 2015 respetivamente. O primeiro tem como objetivos sensibilizar a opinião pública sobre a luta contra a pobreza global e sobre o papel que a Economia Social e Solidária pode desempenhar nesta “luta” através da criação de relações justas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, promovendo a justiça social, os direitos humanos e modos de vida sustentáveis.
     
    O projeto “Fruta Tropical Justa” é um consórcio global que reúne 19 parceiros da União Europeia, Camarões, Colômbia, Equador e ilhas Windward e que é implementado em Portugal pelo IMVF. Este projeto tem como principal objetivo alertar as grandes cadeias de supermercados e empresas de frutas da União Europeia sobre as condições precárias dos trabalhadores das plantações e pequenos agricultores que produzem frutas tropicais para o mercado europeu. Até novembro de 2015 vai estar a decorrer a assinatura da petição “Fim às práticas comerciais injustas. Queremos Fruta Justa!” que pretende alertar para a promoção de uma cadeia de distribuição justa e sustentável de fruta, em particular da banana e do ananás, para a defesa dos direitos sociais e ambientais nos países produtores e para a criação de oportunidades para que os representantes dos países produtores possam expressar as suas preocupações e encorajar novas políticas e práticas de comércio internacional.
     
    Atualmente, o IMVF tem em curso 17 projetos nos diferentes países da CPLP, intervindo nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento rural, fortalecimento institucional, sustentabilidade ambiental, identidade cultural, cidadania global, cooperação descentralizada e estudos estratégicos.

    Dois novos projetos de Educação para a Cidadania Global têm início em março de 2015

    2015 é o Ano Europeu para o Desenvolvimento, um ano de viragem na agenda global do Desenvolvimento, e em que se esperam ver reforçadas as iniciativas, os projetos e a reflexão sobre os caminhos para alcançar a justiça social mundial e para aproximar os cidadãos às questões do Desenvolvimento.
     
    A equipa de Educação para a Cidadania Global do IMVF assinala o início deste ano com dois novos projetos que pretendem sensibilizar os cidadãos para as interdependências glocais e para a adoção de comportamentos e modos de vida mais sustentáveis.
     
    Com a duração de 36 meses, o projeto “Fruta Tropical Justa” tem início em março e pretende contribuir para a adoção de políticas de desenvolvimento mais coerentes e sustentáveis da União Europeia, com o objetivo que os Estados-Membros e o setor privado integrem nas suas práticas os direitos humanos, o trabalho e o comércio justo, garantindo melhores condições de vida e de trabalho para os pequenos agricultores e trabalhadores do setor da fruta tropical.
     
    Este projeto pretende consciencializar 23 milhões de consumidores e cidadãos, em pelo menos 20 Estados-Membros sobre  as interdependências de exportações de frutas tropicais entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e mobilizar 200 mil cidadãos para agir e exigir aos decisores políticos e corporativos que assegurem condições justas para o setor da fruta tropical. A ação contribuirá ainda para a agenda pós-ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milénio) que visa proporcionar uma vida digna para todos até 2030.
     
    O projeto “Economia Social e Solidária: Uma abordagem à sustentabilidade” [ESS] terá início também em março e assume-se como uma abordagem relevante à sensibilização pública sobre a luta contra a pobreza global e ao papel que a Economia Social e Solidária pode desempenhar nessa “luta” através da criação de relações justas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, promovendo a justiça social, os direitos humanos e modos de vida sustentáveis. A ESS propõe uma mudança no pensamento dominante capaz de transformar as atuais relações económicas numa abordagem baseada na cooperação, solidariedade e sustentabilidade.

    Contribuir para uma resposta coerente e abrangente aos desafios universais da erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável, garantindo uma vida digna para todos até 2030 é o principal objetivo deste projeto, que pretende assim aumentar as competências das Redes de Desenvolvimento de ESS em 46 territórios/regiões através do papel que a ESS pode desempenhar na luta global contra a pobreza e na promoção de um modo de vida sustentável.

    Ambos os projetos são financiados pela União Europeia e implementados em Portugal pelo IMVF que trabalhará em parceria com organizações e associações europeias de países como Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Malta, Polónia, República Checa, Reino Unido e Roménia.


    PARCEIRO SUSY EM PORTUGAL

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